Próteses personalizadas com abutments: o que você precisa saber

INTRODUÇÃO

Pacientes com complicações como a perda óssea excessiva, a má qualidade óssea e a pneumatização do osso maxilar são inelegíveis para os implantes dentários tradicionais, o que significa que tais pacientes possuem poucas opções de reabilitação oral.

Além disso, até 56% dos pacientes com prótese endóssea retida por implante desenvolvem peri-implantite, levando a eventual perda da fixação e, consequente , a necessidade de remoção da prótese dentária.

A solução final para esses casos acaba sendo a prótese removível total, que é pouco eficiente e higiênica, gerando desconforto e insegurança, além de influenciar diretamente em sua qualidade de vida, uma vez que limita o consumo de determinados alimentos.

SOLUÇÕES INOVADORAS

A aplicação da tecnologia 3D na área da saúde e a constante busca pela inovação em tratamentos por parte dos cirurgiões e empresas especializadas possibilitou o desenvolvimento de próteses personalizadas que atendem tanto a parte essencial, que é a funcional, quando a secundária, que é a estética.

As próteses personalizadas produzidas com essa tecnologia apresentam encaixes perfeitos à anatomia do paciente, o que significa que não são necessárias adaptações ou desgastes para adaptação ao paciente que interferem prejudicialmente na estrutura da prótese. 

É importante saber que essa tecnologia, apesar de bem aceita no mundo e apresentar resultados bastante positivos, é nova e requer alguns cuidados por parte do cirurgião e do paciente. Inclusive, a abordagem terapêutica escolhida pelo cirurgião e desenvolvida em conjunto com a CPMH é variável. Deve-se avaliar individualmente os cuidados e precauções necessárias para cada paciente. 

O objetivo desta postagem, portanto, é falar de próteses personalizadas de mandíbula e maxila com abutments, então focaremos agora nos aspectos que promovem a variação dos cuidados necessários. É sempre importante lembrar que cada caso é um caso, portanto apresentaremos dois relatos de casos cirúrgicos que utilizam abordagens diferentes para inserção de implantes dentários nas próteses de mandíbula e maxila:

CASO 1

O primeiro caso é um caso de reconstrução de mandíbula, relatado em 2017, de um paciente de 56 anos do sexo masculino, com histórico de carcinoma de células escamosas no lado direito da mandíbula. Para o desenho da prótese, o cirurgião e o engenheiro responsáveis pelo caso definiram a possível região de ressecção, a forma e as características gerais da prótese personalizada, procedimentos padrões do Planejamento Cirúrgico Virtual.

Durante esse estágio são discutidos muitos parâmetros clínicos e técnicos, incluindo o acesso cirúrgico, a posição dos parafusos de fixação da prótese, a forma global da mesma e sua projeção, dependendo da elasticidade dos tecidos moles. Para esse paciente, a prótese de mandíbula foi desenhada de forma a comportar os implantes dentários ao mesmo tempo.

O implante de mandíbula confeccionado para esse paciente foi em titânio poroso, com uma estrutura tridimensional também porosa. A essa prótese de mandíbula, na região onde foi planejada a inserção de implantes dentários, um biomaterial foi adicionado para reforçar o suporte desses implantes. Uma radiografia panorâmica do caso pode ser vista abaixo:

A primeira coisa a se observar nesse caso é o tipo de prótese confeccionado sob medida para o paciente. Como se pode observar na imagem, é um titânio poroso em sua totalidade, em que foi adicionado um biomaterial. Esse biomaterial precisou se integrar à prótese e aos tecidos que a estavam colonizando.

Por esse motivo, os cirurgiões julgaram necessário uma espera mínima de 18 meses antes da colocação das próteses dentárias, já que os implantes dentários não deveriam ser usados antes da integração da prótese de mandíbula ao osso do paciente e do biomaterial à prótese.

CASO 2

O segundo caso trata de uma paciente do sexo feminino, de 55 anos, nascida com fissura labial unilateral, e que possuía prótese total removível na mandíbula superior. Primeiro, a diferença reside no local da implantação da prótese: o caso que apresentamos agora foi uma reconstrução da maxila que possibilitou o acoplamento de implantes dentários. A prótese também foi confeccionada de acordo com parâmetros e decisões tomadas pelo cirurgião durante o Planejamento Cirúrgico Virtual. É uma prótese com um apoio ósseo significativamente superior, uma vez que além das asas de fixação, conta com um rebordo ósseo superior para integração e suporte. Uma representação gráfica da prótese pode ser vista na imagem abaixo:

Além das diferenças conceituais dessa prótese, a primeira coisa que podemos observar é o fato dela ser inteiriça, ou seja: não apresenta porosidade em sua estrutura tridimensional. Além disso, não foram adicionados nenhum tipo de biomaterial para melhorar a integração dos implantes dentários – nela, os elementos de conexão dos implantes dentários foram confeccionados diretamente na estrutura da prótese como uma supraestrutura. Por fim, uma superfície retentora para uma ponte dentária de PMMA foi adicionada.

Para essa paciente, uma espera de apenas dois meses foi vista como necessária para garantir uma osseointegração sem interferências de aplicação de cargas na região.

CONCLUSÃO

Como se pode observar, o tempo de espera e o  design da prótese vão variar de acordo com o paciente, seu histórico patológico, suas necessidades funcionais e estéticas e com a realidade do que pode ser alcançado, ou não, em cada caso.

Ao apresentar esses dois casos, o objetivo foi exemplificar diferenças significativas que ocorrem durante a tomada de decisões de abordagens terapêuticas. Nós, da CPMH, ao confeccionarmos uma prótese personalizada de mandíbula e maxila buscamos oferecer a melhor qualidade de material, segurança e resultados para o paciente e cirurgião.

Assim, após pesquisas aprofundadas e deliberações com cirurgiões que compõem nossa equipe, julgamos que os encaixes para implantes dentários acoplados às próteses são seguros e devem ser utilizados, porém um tempo de espera de 6 a 12 meses é o necessário para garantir a integração adequada da prótese à superfície óssea do paciente. 

Referências

Qassemyar Q, Assouly N, Temam S, Kolb F. Use of a three-dimensional custom-made porous titanium prosthesis for mandibular body reconstruction. Int J Oral Maxillofac Surg. 2017;46(10):1248-1251. doi:10.1016/j.ijom.2017.06.001

Mommaerts MY. Additively manufactured sub-periosteal jaw implants. Int J Oral Maxillofac Surg. 2017;46(7):938-940. doi:10.1016/j.ijom.2017.02.002

Mommaerts MY. Evolutionary steps in the design and biofunctionalization of the additively manufactured sub-periosteal jaw implant ‘AMSJI’ for the maxilla. Int J Oral Maxillofac Surg. 2019;48(1):108-114. doi:10.1016/j.ijom.2018.08.001

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